Pergunto porquê mais uma vez. Era estritamente necessário?
Porquê a mim, neste momento a esta hora e ...neste lugar.
Qual a necessidade de regressar ao local onde a meta se cruza com a partida?
No espaço que passou de inseguro a mais que seguro, onde era possível que me agarrasse ainda que tudo de mim me puxasse para outro lado.
Empurraste-me de ti no momento em que mais me querias puxar para perto. Uma inversão infeliz de toda a gravidade, desafiando a física e possivelmente alguma da química que se tinham vindo a revelar.
Por agora ficou tudo em estilhaços que sobraram da explosão interior que iniciaste sem ver e nem tens noção até onde todos os danos se alastraram...
Queria estar a sonhar, e que fatidicamente tudo isto não passasse de um infeliz e fugaz devaneio da minha cabeça. Podia ser um pesadelo, podia ser um horror ou até um tormento...pedia apenas que fosse numa dimensão não articulada com a realidade do dia a dia. E depois vem o dia, a mostrar que é verdade.
Não foi sonhado nem imaginado, foi concebido por ti para mim. Não sei de que maneira nem com que ideia, mas o que restou aqui para nos lembrar foram apenas todos os fantasmas no sótão. Tencionava ter lá tralhas de recordações confiantes contigo e agora sinto escassos pedaços de desconfianças que se enrolam num novelo do qual me quero desenrolar mas que cada vez fica mais denso.
Estou lúcida para entender tudo, quando secretamente adoraria poder apenas sorrir-te e saber evitar toda a realidade que se desmorona e à qual eu não dou vazão.
Fingir e acreditar que vai ficar tudo melhor mais tarde, quando o principio do fim ainda agora tomou lugar.
Imagina se ...
"A imaginação dita as regras do mundo" Napoleão
sábado, 11 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Traços imperfeitos
É complicado falar de noções utópicas, como a perfeição.
Tentar desmistificar isso de modo a ver o outro lado, é uma escultura cuja forma só se define com o passar de uma vida.
É a verdadeira tarefa de se viver. É o duro de conquistar e sair a perder, sabendo que se entrou para ganhar e nada previa aquele desfecho.
Adoro consolar-me na tua imperfeição que vim a imacular ao longo de escassos fragmentos temporais, que acabei por colocar em todos os domínios, cuja minha vida de momento consegue abarcar. Todo o perímetro circular com irregularidades que os meus braços formam quando os junto para te abraçar e te poder sentir um pouco mais aqui. Com arestas por limar, neste meu circulo irregular onde passo a vida a deambular sobre o lado errado no próprio certo. Certamente que é inútil essa busca utópica por coisas desnecessárias e acessórias, que faço e uso como adereços para adornar toda a minha alma. São como pequenos remendos que vou colocando para tapar e proteger-me a mim mesma. E a ti também.
Não primo pela estética, não ligo normalmente aos padrões ou linhas que uso. Faço-o do melhor que sei, com tudo o que tenho e todo o resto que me chega de ti por formas irreais. Transformo tudo no palpável que tenho e contemplo. Toda a colecção de coisas que ficaram, não pela sua beleza mas pela sua historia de irregularidades e escassas possibilidades.
Pelo dom de acreditar no livre arbítrio que em guiou ao melhor dos mundos, onde se ama a imperfeição e se adora a perfeição.
Porque dá mais trabalho cozer que tapar.
Dá mais trabalho rir que chorar. Dá mais trabalho que tudo, saber o que é ver alguém gostar e não ter medo de confiar.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Os passos da tua ausência
Caminhamos lado a lado.
Ou pelo menos, costumava ser assim.
Não era necessário grande perícia ou ginástica para haver uma articulação harmoniosa entre o teu ser e mim própria.
Percorremos caminhos juntos, outros separados...e quem sabe alguns em simultâneo sem nós mesmos nos termos apercebido da presença um do outro, ainda que fosse apenas nisso que a nossa cabeça se focava.
Traçámos linhas para nos cruzarmos, para não nos vermos, para nos tocarmos...para todo um sem fim aparente de coisas que traziam ao de cima mais do que o visível à aparência. Apenas blocos de vontades, que genuinamente encaixávamos como as pequenas peças de lego, que tão graciosamente fazíamos em crianças. Nos tais caminhos não complementares.
Passei por ti um dia. Deixei uma marca que nunca se ausentou na minha própria ausencia. Quero caminhar para os teus passos, para te poder agarrar sem mais ter me conformar a ver-te ir, e a viver nos próprios passos da tua ausência.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Poeiras primaveris em inícios de Outono
Era tudo calmo e primaveril, antes de todos os tempos de desgraça.
Como qualquer historia de amor, sempre teve o seu requinte e charme de início.
Além disso, conseguia sempre manter um pequeno savoir faire que deixava a sensação de nunca estar terminado.
Podia esvoaçar com o tempo, saltitar de banco em banco e nunca perdia nenhum do seu brilho.
Era tão cintilante que ofuscava.
Até me atrevo a dizer que durante o dia, quase que fazia frente à enormidade do sol e podia aquecer mais que ele. E além disso, ousava desafiar constantemente a lua, nas suas noites de charme, tendo a capacidade de seduzir ainda mais os presentes, e todos os ausentes que se quisessem alistar à chegada de tamanha grandiosidade emocional.
Era como fosse um marco na astronomia, uma espécie de conjugação planetária tão pouco comum e concebível, que só dava vontade de ficar a noite em claro, com os braços no parapeito da janela, para poder contemplar todo aquele leque de coisas mais que perfeitas e incríveis. Apesar de tudo, como todas as aparições celestiais que surgem na vida, todas elas deixam marcas e saudade. Sobretudo pelo medo de não se estar vivo para poder contemplar a aparição seguinte, achando que de algum modo isso vai mudar o nosso fado, pelo conforto de ter-mos algo onde nos agarrar ao invés de enfiar a cara na almofada e abafar um pranto de lágrimas indeterminável.
Vou agora ao parapeito, vejo o céu vazio de estrelas. Acordo e vejo o sol desprovido de calor. Sei que o Outono se aproxima, e as lágrimas que caiem não são de decepção, mas de saudade e arrependimento de não ter colhido todos os frutos da minha própria Primavera.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Saladas
Não quer ser ligth
Longe de leviana
Uma trombose de serenidade
O fazer amor numa cabana
Misto de doce e salgado
Aguça o sabor com pó de pimenta
Cria laços mas não aquece demais
Prefere sair antes da hora em que esquenta
Talvez pelo espirro da pimenta
Ou o apaziguar de mais um dia
Pelo medo audaz mas não fugaz
De brindar à apatia
O nadar num copo meio cheio
O escorrer até ser meio vazio
Em toda a escassez de conteúdo
Onde só pode contar quem sentiu
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