Cruzo-me com milhares de pessoas tão diferentes de mim. Somos uma mancha heterogénea que dá cor à cidade. O tocar de malas e casacos na pressa louca de conseguir deter o autocarro, para não apanhar toda aquela agitação na linha de metro. O correr louco de cada um para o seu carro receando a cada passo o facto de ele poder já não estar lá.
A agitação frenética que é viver no mundo real, onde de tão diferentes passamos a ser bastante semelhantes, e onde tentamos verdadeiramente sobreviver e chegar ao final do dia com uma história para contar.
Todos os dias somos confrontados com a necessidade de fazer opções e escolhas. É o preço da responsabilidade que aumenta de acordo com o que damos e recebemos. Temos dias em que achamos que investimos tudo em alguém e vamos para casa com o sabor amargo que não valeu a pena. Outros dias porém, chegamos a casa com o remorso de nos termos deixado seduzir pelo orgulho ou pelo capricho, ficando a dever ao outro muito mais do que demos.
Equilibrar expectativas é possivelmente das tarefas mais complicadas do ser humano. Não segue uma lógica linear, uma hereditariedade mendeliana, uma proporção aritmética. No fundo acaba por ser um saco enorme com um milhão de potenciais situações e experiências, que com o tempo e com as vezes que não deu, aprendemos como é que irá dar.
No final, ainda podemos achar que não é suficiente. Que se temos o controlo de tudo é porque não estamos a ser suficientemente rápidos...e é aqui que o ser humano pára, senta-se e fica a ver a vida passar.
E aí se explica o falhanço das relações humanas.
Tal como alguém disse um dia, parar é morrer.
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